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sobre a pesquisa: mediação cultural e prática pedagógica

Sobre a pesquisa: “A mediação cultural como prática pedagógica: O ensino da arte na EEEFM Judith da Silva Góes Coutinho”, desenvolvida como trabalho de graduação no curso de Licenciatura em Artes Visuais na UFES, sob orientação da Profa. Dra. Julia Rocha



Chego na escola e me direciono ao pátio aguardando a entrada dos estudantes.

- Bom dia professora, que horas nós vamos sair hoje?

-Bom dia! Nós iremos no horário da segunda aula. Você trouxe sua autorização assinada?


Após recolher os bilhetes nosso ônibus chega. Entramos e todos ocupam seus lugares. Entre risadas e conversas realizo a chamada. Observo no olhar dos estudantes a satisfação por estarmos saindo da escola para realizarmos nossa aula de campo que estava sendo ansiosamente esperada. Enfim, partimos!

Milena Espinoza - Roteiro de planejamento escolar (2021)

Ilustração produzida para pesquisa


É assim, buscando favorecer a interação do público, inclusive, com a sua cultura local, utilizando a mediação cultural como prática pedagógica na escola, que me posiciono como arte/educadora. Dessa forma, a caracterização dos elementos que compõem essa pesquisa são: uma professora de arte, uma escola, seus educandos e a mediação cultural.


Através de uma narrativa pessoal sobre a docência escolar, estruturada a partir do meu ponto de vista enquanto professora de arte, trago memórias de vivências e experimentações escolares e extra-escolares realizadas durante o ano letivo de 2019 desenvolvidas com minhas turmas do Ensino Médio da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Judith da Silva Góes Coutinho, localizada no município de Vila Velha, no estado do Espírito Santo.


Meu papel nesta pesquisa se coloca como o de uma professora propositora, uma vez que busco realizar na escola ações de mediação cultural e viso a desenvolver a curiosidade, a autonomia e a vontade do fruir em arte.

Então, por vezes ouço comentários tais como:

- Essa professora de Arte não para quieta dentro da sala de aula!


São diversos os textos que trazem um olhar sobre ações de mediação cultural em museus e/ou galerias de arte, ressaltando a sua relevância para essas instituições culturais e os agentes nelas envolvidos, mas, no que tange ao espaço escolar, escutando e dando voz aos seus partícipes, existem poucos registros ou investigações. Não que a prática não exista, de fato o público escolar, com seus professores, têm se colocado com frequência em espaços expositivos ou explorando patrimônios culturais do seu bairro e entorno escolar, mas os registros dos professores da educação básica, refletindo, estruturando e analisando dados sobre suas ações sobre a mediação cultural no ensino da arte ainda parecem ter sido pouco expostos enquanto pesquisa acadêmica.


Adair de Aguiar Neitzel e Carla Carvalho (2016) norteiam essa pesquisa, trazendo a leitura do espaço escolar como um espaço cultural assim como os museus, as galerias de arte e o entorno escolar, pensando na mediação cultural efetuada pelo professor como forma de diluir as barreiras existentes entre os equipamentos culturais e a escola. Sobre a história do ensino da arte brasileiro e contextualização da mediação cultural, apresento conceitos de Rejane Galvão Coutinho e Ana Mae Barbosa (2008). Discutindo a importância do papel do professor na compreensão dos repertórios artísticos dos seus estudantes e refletindo sobre a mediação cultural como prática pedagógica, referencio-me em Mirian Celeste Martins e Gisa Picosque (2012), Valéria Peixoto de Alencar (2008), Julia Rocha (2015; 2018) e Erick Orloski (2015). Pensando sobre a sistematização do trabalho pedagógico do professor no ensino da arte, busco embasamento em Maria Filisminda de Rezende Ferraz e Maria Heloísa Corrêa de Toledo Fusari (2009) e Rosa Iavelberg (2003; 2017).


A partir da minha experiência como professora e do meu percurso como pesquisadora, minha concepção de ensino da arte considera essencial que meus alunos tenham contato com a arte, seja em espaços institucionalizados ou não. De que forma arte/educadores podem colaborar para a formação e ampliação do repertório cultural e artístico dos seus alunos? Como as saídas do espaço escolar e as conexões com outras instituições podem ampliar a minha relação e a dos meus educandos com a arte? A mediação cultural apresenta contribuições na formação do repertório estético, artístico e cultural dos educandos da EEEFM Judith da Silva Góes Coutinho?


Para responder estas questões foram realizadas entrevistas e questionários investigativos como fonte de coleta de dados com os estudantes e mediadores dos espaços expositivos visitados, bem como, a análise da experiência de mediação cultural a partir de três visitas realizadas durante o ano letivo de 2019: ao patrimônio histórico do Palácio Anchieta, que também abrigava a exposição 33ª BIENAL/SP Afinidades Afetivas; ao Museu Vale, com a exposição O Brasil que merece o Brasil e ao patrimônio local; e à Igreja Nossa Senhora dos Navegantes.

Milena Espinoza - De volta para a escola (2021)

Ilustração produzida para pesquisa


Nesta pesquisa, o meu olhar para a escola, meu local de trabalho, transforma-se em um olhar investigativo para o ensino da arte, convertendo minhas ações pedagógicas em meu objeto de estudo. Como prática educativa, as propostas de mediação cultural que partem das escolas promovidas pelo professor de arte buscam a quebra desse paradigma do distanciamento dos equipamentos culturais. Dessa forma, me coloco como mediadora da experiência dos estudantes no contato com a arte, considerando não somente o educador de museus e espaços culturais como mediador, mas também o arte/educador que atua nos espaços formais de educação.



sobre a autora:

Julliana de Oliveira Amorim Gomes é bacharel em Artes Plásticas pela Universidade do Espírito Santo e Licenciada em Educação Artística pelo Centro Universitário Claretiano. Tem MBA em História da Arte pela Universidade Estácio de Sá e é pós-graduada em Educação Profissional e Tecnológica pelo Instituto Federal do Espírito Santo e em Educação Especial pelo Instituto Superior de Educação de Afonso Cláudio. Professora de arte na educação básica desde 2002 atuando em redes estaduais, municipais e privadas de ensino. Licencianda em Artes Visuais na Universidade Federal do Espírito Santo, integra o Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea (CE/UFES). Tem interesse de pesquisa na área de história da arte contemporânea, a mediação cultural no ensino da arte e sobre as relações étnico-raciais no ambiente escolar.

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