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“o chão da escola é um mundo”

Relato do 1° encontro Chão da escola, com Mariana Bertoche e Alexandre Paes, realizado em 14 de março de 2022, por Clara Pitanga Rocha


Ao pensar em “escola” qual é a primeira imagem, lembrança ou associação que surge na cabeça? Certamente, mesmo que as diversas escolas existentes no mundo tenham como objetivo principal ser um espaço para o exercício da educação e também de socialização entre os estudantes, as escolas são diferentes. Cada indivíduo terá a sua percepção de escola baseada nas suas próprias vivências, experiências e sentidos que foram construídos no período como estudante, e que depois, caso retornem novamente para as escolas como professores, levarão já alguns sentidos construídos já anteriormente.


As distinções da escola podem ser desde o espaço físico e sua arquitetura, a quantidade de alunos, a região do bairro na qual a escola está inserida, o quadro de professores, a proposta pedagógica seguida e também as características peculiares de cada aluno que compõem determinada instituição.


Visando conhecer e dialogar mais acerca das diversas escolas existentes e como a disciplina arte está inserida nelas, surgiu a proposta “Chão da escola”, encontro organizado pelo Grupo Entre - Educação e arte contemporânea e pelo Núcleo de Artes Visuais e Educação do Espírito Santo (NAVEES). A sua primeira edição ocorreu em março de 2022 através da plataforma do Google Meet e contou com a presença dos professores Mariana Bertoche e Alexandre Paes, componentes do Grupo e responsáveis por apresentar um pouco acerca das suas vivências escolares enquanto professores de arte em diferentes contextos.


Para além das suas visões e experiências na educação, os convidados também são pesquisadores e artistas, e, portanto, incorporam suas práticas artísticas no processo de ensino e diálogo com os alunos, assim como também levam questões e acontecimentos da sala de aula para seus trabalhos de arte, comumente inspirados pelo espaço escolar, pelas vivências com os alunos, seus contextos, ou através de propostas educativas em que os professores-artistas inserem seus alunos também como co-autores dos trabalhos de arte.


Mariana Bertoche é carioca e hoje atua como professora no município de Vitória (ES). Além de professora, é artista, escritora, mestre em Arte e Cultura Contemporânea (UERJ), doutoranda em Estudos Contemporâneos das Artes (UFF) e ativista junto com coletivos ligados à memória e reparação acerca do período da Ditadura no Rio. Alexandre Paes também é carioca e professor no município do Rio de Janeiro. Também é artista e pesquisador, influenciado principalmente a partir das comunidades escolares em situação de violência e pelas materialidades vivenciadas dentro de sala de aula.

Alexandre Paes - Cultura (2021)


Mediante essa primeira apresentação, já são perceptíveis algumas diferenças e semelhanças entre os professores. Ambos são professores, artistas e pesquisadores, mas dão aula em cidades e estados distintos, logo, com suas próprias peculiaridades. O contexto que influencia Alexandre Paes nas suas práticas como professor e artista é a violência na qual sua comunidade escolar está inserida, região com tráfico, operações policiais e muita violência da cidade do Rio de Janeiro.


Enquanto isso, Mariana Bertoche conta que suas práticas são influenciadas pelo próprio contexto escolar, por experiências que viveu em conjunto com coletivos e artistas em outras cidades do Brasil, além da sua história pessoal, como neta de jornalista que a mesma não conheceu, preso político durante a ditadura militar. Sendo assim, sua graduação, mestrado e agora doutorado são atravessados por esses contextos históricos, mas também pessoais.


Portanto, a escola não é só uma, a escola se configura como um emaranhado de histórias, vivências, experiências e contextos, como a exemplo os apresentados por Alexandre Paes e Mariana Bertoche. Toda a escola é formada pelos estudantes que por lá circulam e levam suas características e histórias vividas no dia a dia, é construída pelos funcionários e pelos professores que igualmente carregam seus contextos.


Por essas razões, como Mariana Bertoche afirmou, a escola é um mundo. A escola é um mundo de experiências, vivências, aprendizados, um mundo que é capaz de influenciar o resto do mundo, mas também ser influenciado pelo seu exterior. A escola não termina na escola, ela continua para fora e reverbera/ressoa aquilo que acontece fora de sua espacialidade.


Alexandre Paes - Imagens de pó (2022)



sobre a autora:

Clara Pitanga Rocha é graduanda na Universidade Federal do Espírito Santo. Atualmente faz parte do "Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea" (CE/UFES), e do grupo de pesquisa "Estudos de práticas fotográficas autorais". É membro e bolsista do projeto de extensão "Interfaces do ensino da arte" e do Núcleo de Artes Visuais e Educação do Espírito Santo (NAVEES). Pesquisa o caminhar como uma prática artística e educativa e desenvolve materiais e jogos educativos para o ensino.





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