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sobre a pesquisa: estudos de mediador

a prática de mediação como dispositivo da experiência com a arte contemporânea


Sobre a pesquisa: "Mediação e contemporaneidade: Um estudo acerca da formação do mediador em exposições de arte contemporânea", desenvolvida como trabalho de graduação no curso de Licenciatura em Artes Visuais na UFES, sob orientação da Profa. Dra. Julia Rocha



Minha pesquisa ocorre a partir de uma necessidade de lidar com arte contemporânea, que surgiu quando iniciei um trabalho como mediador na Galeria de Arte Espaço Universitário (GAEU), espaço expositivo da Universidade Federal do Espírito Santo, no ano de 2016. Eu estava no quarto período do curso de Licenciatura em Artes Visuais e não tinha passado por alguma experiência significativa com obras contemporâneas, nem acadêmica, nem na docência. Eu nasci e fui criado no interior do estado do Espírito Santo, cercado por cafezais e pastos, acreditando que toda a arte se resumia às pinturas clássicas que eu costumava ver nas aulas de arte ou mesmo na televisão e era isso que eu carregava comigo quando pensava em arte.

Maik Douglas Cabral Machado - Exposição Tecendo, Dilma Goés (Novembro de 2017 - GAEU UFES)


Essa ideia se manteve muito forte até ser colocado de frente às produções contemporânea dentro da GAEU, um espaço que se propunha não apenas a expor obras contemporâneas mas a dispô-las em diálogo com público. Neste momento, como mediador, não poderia me dispor a ignorar as questões que a arte contemporânea nos suscita e que eram continuamente provocadas pelos públicos, questões tais que Paulo Bruscky já explorava em uma de suas performances nos anos de 1970.

Paulo Bruscky - O que é arte? Para que serve? (1978)


Quando se é colocado frente a tais perguntas, podemos trazer conosco respostas que passam pelo nosso repertório de vida e nossa formação, seja de estudante, professor, ou outra formação externa ao campo da arte. Respostas contaminadas pelos nossos próprios conceitos de arte e da sua função. O que você responderia?


Fui instigado então a pensar no objetivo da mediação como uma busca por questionamentos e não respostas, construindo minha formação no processo de trabalho na Galeria, pensando na arte contemporânea como um campo aberto às divergências e discussões. Levei a pesquisa para os momentos de transição entre a arte clássica no fim do século XIX, passando pelo modernismo do século XX, até meados dos anos de 1960, quando o pós-modernismo transgride com os conceitos e materiais até então vigentes no campo da arte, para assim chegar a minha prática como mediador, minha função ao lidar com tais obras contemporâneas e o espaço no qual eu me inseria.

Maik Douglas Cabral Machado - Exposição Casa 34, Rick Rodrigues (Novembro de 2017 - GAEU UFES)


Então, à medida que transacionava pelas exposições que passavam pela GAEU, eu me encontrava em mais condições de dialogar com o público e de me inserir nos emaranhados que as obras contemporâneas propõem. Olhar para os trabalhos passou a ser uma dinâmica coletiva e parte da minha prática como estudante e pesquisador. Em paralelo às disciplinas do curso fui compreendendo a função dos espaços expositivos na formação do público, passando pelo papel da mediação e sobre a formação do mediador cultural.


Essa questão foi o segundo ponto para a produção da pesquisa: quais encontros possibilitariam a formação do mediador. Elegi quatro pontos que considerei fundamentais no processo para atuação e formação dentro de uma galeria de arte contemporânea: o contato do mediador com as obras, com os artistas, com o público e o seu repertório pessoal. Todas as perspectivas eram oriundas da minha vivência de conversas com as pessoas que transitavam pela GAEU, das escolas e artistas que recebíamos e das obras que eu tive a possibilidade de dividir meu espaço de trabalho. Cada uma dessas instâncias refletiam parte do meu processo de formação enquanto mediador e de construção para ocupar esse espaço da mediação.

Maik Douglas Cabral Machado - Exposição Tecendo, Dilma Goés (Novembro de 2017 - GAEU UFES)


Tendo então todos os conceitos definidos, pude retornar aos meus relatos de experiência que escrevia enquanto mediador, um exercício realizado ao fim de cada exposição enquanto ainda trabalhava na GAEU. Através dessa pesquisa pude observar ali os pontos que eu havia já elencando como fundamentais para formação do mediador de arte contemporânea e, a luz de autores como Julia Rocha, Miriam Celeste Martins, Carmen Mörsch, Cayo Honorato, dentre outros, construí diálogos com minha própria experiência, pensando-a como ação de formação para a mediação.


sobre o autor:

Maik Douglas Cabral Machado é Mediador-Professor licenciado pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) no curso de Artes Visuais. Membro do Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea (CE/UFES). Atua na educação básica lecionando para os anos iniciais pela prefeitura da Serra - ES. Os interesses de pesquisa permeiam pela mediação no campo da arte contemporânea e o espaço da sala de aula como disparador de ações mediadoras.


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