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o que é educação museal para você?

Relato do encontro "Arte contemporânea e educação museal - Vivências acadêmicas e profissionais racializadas e (trans)generificadas" com Brune Ribeiro, realizado em 21 de junho de 2021


No dia 21 de junho de 2021, nós do grupo de pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea, juntamente com nossos convidados, nos reunimos remotamente com Brune Ribeiro, mestranda em Artes Visuais pelo PPGAV/EBA/UFRJ, graduada em História da Arte pela EBA/UFRJ, educadora museal desde 2015, entre outras atuações na pesquisa e colaborações em vários museus do estado do Rio de Janeiro.


Brune iniciou o diálogo contando um pouco sobre quem ela era – “bicha preta trans não-binária, pansexual, carioca suburbana, macumbeira, não-monogâmica” – e como estava se sentindo no momento, em decorrência dos atravessamentos da pandemia e outras dificuldades enfrentadas no percurso da sua vida pessoal, acadêmica e profissional. Saber um pouco mais sobre a vida de Brune e o seu estado atual foi importante para criar conexões com seu resistir, atuar, lutar, existir e entender os motivos de fazer o que faz, potencializando ainda mais sua fala e os conhecimentos que trazia. Um ponto interessante que eu gostaria de destacar nessa primeira apresentação da educadora, foi a dificuldade que ela apontou de ter uma fala linear, demarcando essa exigência como traço da colonialidade do pensamento e ponderando o quanto somos exigidos que essa linearidade exista nos nossos discursos e nos nossos aprendizados.


A primeira pergunta direcionada ao grupo foi “o que é educação museal para você?”, seguida de questionamentos sobre qual o papel dos educadores museais. As respostas variavam entre visita, oficinas, formações, mediações, desvios/acúmulos de funções, e essas respostas foram direcionando a conversa até chegarmos nos acadêmicos sobre a educação museal, o que representava de fato e sua importância. Brune citou Andréa Costa, Fernanda Castro, Ozias Soares e Mila Chiovatto e suas respectivas definições no verbete “educação museal” que estão disponíveis no documento regulador da Política Nacional de Educação Museal, elaborado em 2010. Dentre as definições, a que mais me chamou atenção foi: “Seu foco não está em objetos ou acervos, mas na formação dos sujeitos em interação com os bens musealizados, com os profissionais dos museus e a experiência da visita. [...] atua para uma formação crítica e integral dos indivíduos, sua emancipação e atuação consciente na sociedade com o fim de transformá-la”. Nesta perspectiva pudemos entender que o trabalho do educador museal começa antes mesmo da visita e se estende após ela, transcorrendo a discussão entre os objetos musealizados e os repertórios dos diferentes públicos.


A educadora prosseguiu a discussão explicando a importância da PNEM, pelo papel de orientação que assume para a realização de ações que vão fortalecendo o campo da educação museal e garantindo condições mínimas para a execução das práticas educacionais nesses espaços. A PNEM reúne princípios, diretrizes e objetivos que foram definidos de forma colaborativa através de um blog e encontros regionais. Agregando ainda mais conhecimentos sobre educação museal, Brune prosseguiu falando da REM (Rede de Educadores em Museus), que foi criada em 2003 em função da vontade e necessidade que os profissionais do campo apresentavam, para que interagissem, debatessem e trocassem experiências sobre práticas e teorias e outros assuntos pertinentes. A REM possui funcionalidades, composições e organizações específicas para cada estado – para atender as demandas de forma mais pontual – mas trabalham em torno de um objetivo em comum, que é o compromisso com a luta por uma educação museal emancipadora.


Voltando um pouco ao ponto de partida, Brune Ribeiro nos contou mais sobre sua carreira profissional e atuação no campo da educação museal, apontando quais eram as dificuldades e as lutas diárias da atuação e permanência nesses espaços – um não-lugar, desvalorização profissional e salarial, falta de formação continuada, sobrecarga de funções, entre outras dificuldades. Esses atravessamentos e a importância do trabalho que realiza fazem parte da sua pesquisa de mestrado, onde lista que “educadoras museais constroem sentidos sobre a arte na relação com as obras, artistas, públicos, curadores, etc.”, entre muitos outros objetivos.

Os relatos de atuação Brune também denunciam a censura e o processo de invisibilização que sofreu ao longo da sua vida acadêmica e profissional nessas instituições marcadas pelas estruturas fechadas. Estar num espaço de cultura, que deveria ser inclusivo, não a poupou de ser questionada e silenciada.


Foi enriquecedor entender um pouco mais sobre quem são esses profissionais, o trabalho que desenvolvem, sua importância para a educação e o quanto eles devem ser valorizados. Enquanto aluna de licenciatura, reconheço ainda mais a importância de apoiar outros profissionais da educação, principalmente entendendo que a educação museal tem conexão e auxilia diretamente as atividades trabalhadas no espaço escolar. Trocar experiências com Brune Ribeiro nos permitiu entender que podemos partilhar um espaço de aprendizagem com outros profissionais da educação que estão fora da sala de aula, ampliando conhecimento.



sobre a autora:

Ana Carolina Ribeiro Pimentel é graduada em fotografia pela Universidade de Vila Velha e atualmente cursando licenciatura em Artes Visuais pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Participa do Grupo de Pesquisa Entre - Educação e Arte Contemporânea (CE/UFES) com foco na linha de processos artísticos e educativos relacionados na contemporaneidade.





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