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descronológico cabeças

Uma das perspectivas contemporâneas do ensino da arte se propõe a partir do questionamento da linearidade enganosamente evolutiva da cronologia das produções artísticas. No lugar de um trabalho que proponha um caminho linear, que percorre a produção artística narrada pelos livros de história da arte, propõe-se que o planejamento dos professores: transpasse variados contextos, relacionando-os e confrontando-os entre si; atravesse diferentes tempos, evidenciando os encontros e fricções entre produções de outros períodos e investigue múltiplos autores, demarcando como as respostas para perguntas semelhantes podem ser complexas e variadas.


A recriação de uma linha do tempo que não seja unidirecional e evolutiva possibilita um olhar ampliado para a produção de outros tempos, além de evidenciar que as produções artísticas e imagéticas se reconfiguram a partir das leituras produzidas de maneira contextual. Assim, no lugar de uma aprendizagem voltada para a compreensão de datas e de períodos, identificam-se questões pertinentes ao momento e aos sujeitos que o compuseram, possibilitando perceber conexões com o tempo presente e desenvolver analogias anacrônicas que ressignifiquem as imagens. Ao mudar esse ponto de vista de uma aprendizagem voltada para os dados e assumir a leitura das imagens como foco central, entende-se que o ensino da arte é menos um conjunto de dados históricos, publicado nos livros e apresentado em múltiplas fontes digitais, e mais uma leitura individualizada e investigativa dos aspectos que compõem o meio artístico.


Por isso propomos o descronológico, um exercício onde sugerimos a relação entre dois tempos, a partir de conexões e desconexões entre uma obra contemporânea e uma obra de algum outro período da história da arte. Na edição de hoje conectamos busto de Nefertiti, produzido por volta de 1345 a.C., por Tutemés, no Antigo Egito com Self, criada em 2006, por Marc Quinn.


Como conexões temos que representações de bustos e cabeças são encontradas em diferentes tempos, seja para marcar símbolos de poder, para devoção religiosa ou para estudo da identidade. Na relação entre o busto de Nefertiti e Self temos dois exemplos separados por quase 3000 anos. Por serem representações de figuras humanas, possibilitam o estudo da estética do período a que pertencem. A tridimensionalidade une as duas peças, podendo desdobrar o debate sobre moldes ou modelagens.


Como desconexões podemos pensar que enquanto no Antigo Egito a autoria era uma questão ainda não tão demarcada, na produção de Marc Quinn vemos sua assinatura não somente na autoria, mas também na sua autorrepresentação. Embora o busto de Nefertiti tenha autoria atribuída a Tutemés, nessa produção importa muito mais a figura representada, pela importância que a Rainha tinha na civilização e até os dias de hoje.


Partimos desse ponto, mas e você: que outras conexões e desconexões identifica entre as duas obras?




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