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como a arte te impacta?

Relato do encontro “Objetos, proposituras e provocações estéticas”, com Mirian Celeste Martins, realizado em 7 de dezembro de 2020


Depois de quase um ano de isolamento social devido a pandemia da COVID-19 o Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea contou com a presença online de mais uma convidada para dialogar com o coletivo e fazer parte do último encontro aberto de 2020: Mirian Celeste Martins. Professora do curso de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura do curso de Pedagogia na Universidade Presbiteriana Mackenzie na cidade de São Paulo, Mirian se apresentou para o Grupo como professora, pesquisadora, artista, criadora de textos, desenhos e colagens.


O encontro começou com uma propositura diferente em que Mirian pediu para que os participantes por meio do site padlet adicionassem uma foto e escrevessem um pequeno texto se apresentando. O padlet consiste em um site em que é possível a construção de painéis com imagens, vídeos, links e textos. Por meio dele que o encontro foi construído em conjunto com a Mirian e os participantes. A partir dessa apresentação inicial de quem são as pessoas que estão presentes, nós respondemos uma segunda pergunta no padlet: “que obra de arte me causa impacto ou escolho para causar impacto em meus aprendizes?”


Cada participante adicionou uma obra de arte com o nome do artista que a produziu e contou um pouco sobre a escolha dela, aproveitando para responder também o motivo pelo qual a obra causa impacto. Foi um momento de partilha de referências artísticas, estéticas e de pensamentos sobre o poder da imagem como forma de desenvolver diálogos, provocações e proposições a respeito de diversos contextos, emoções, significados e interpretações.


Em sequência partimos para o diálogo em torno de uma série de projetos e materiais apresentados por Mirian, que trouxe como referência o pensamento de Lygia Clark (1968): “Nós somos os propositores: nossa proposição é o diálogo. Sós, não existimos. Estamos à mercê. Nós somos os propositores: enterramos a sua obra de arte como tal e chamamos você para que o pensamento viva através de sua ação. Nós somos os propositores: não lhe propomos nem o passado, nem o futuro, mas o agora”. Essa provocação foi ponto de partida para a conversa de que nós somos os propositores, ou seja, oferecemos debates, ideias, criações, diálogos e provocações, e a partir disso podemos compreender e vivenciar as obras.


Além disso, dentro do pensamento de Vigotski em Psicologia Pedagógica (2001) apresentado por Mirian, a vivência estética é constituída pela provocação de uma reação em um determinado corpo e se relaciona com a compreensão de obras que surge por meio da proposição e dos “seres propositores” de Lygia Clark. Um exemplo disso mencionado no encontro foi o projeto Arte para aprender arte, da Universidade de Granada, que ocorreu em 2013. Ele tem como um dos objetivos desenvolver os processos de mediação nos museus e para isso sugere que o público crie para que possa compreender as obras da exposição. Esse é um exemplo que envolve o visitante e torna ele um propositor que está exposto ao processo de criação e não somente como um visitante observador, que só visualiza as obras.


Outra exemplificação comentada no encontro foi a obra Escada-Escola, de Carmela Gross, um site specific de 2016 que consiste de uma estrutura metálica que conecta uma escola de educação básica a uma das unidades do Museu da Cidade em São Paulo, através de uma escada dupla que interrompe a divisão espacial das grades que separam as duas instituições. A ideia dessa obra é acabar com limites físicos entre escola e museu e fazer com que elas fossem parte de uma unidade para integrar atividades. Dessa maneira a possibilidade dessa troca entre escola e museu se configuraria em uma proposição de educação criativa e criadora e a “atividade artística como ação lúcida e lúdica”.


O encontro do grupo com a Mirian Celeste, apesar de ter sido online, de certa forma trouxe um pouco uma sensação também de participação ativa para desenvolver a conversa. Nós não só ouvimos o que ela nos trouxe, mas a partir daquilo que levamos e propomos no padlet construímos o diálogo e fomos os propositores ao debater e ouvir as ideias daqueles que apresentaram as obras que nos causam impacto ou impactam nossos aprendizes. Exploramos também a noção de “objeto” e materiais educativos propositores como uma forma de debater, criar, interagir com as obras e propor diálogos com elas, a fim de estabelecer relações entre imagens ou obra-expectador. Desse modo, pudemos olhar para as “provocações estéticas” como peças fundamentais para gerar diálogos e propor conexão com as obras a partir de objetos e a interação com eles para sermos “seres propositores”.



sobre a autora:

Clara Pitanga Rocha é graduanda na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Atualmente faz parte do Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea (CE/UFES), com o objetivo de estudar os caminhos e as relações entre arte contemporânea e educação.



referências:

CLARK, Lygia. Livro-obra. Rio de Janeiro, 1983. [Republicado no catálogo da Fundació Antoni Tàpies, Barcelona, 1977.]

VIGOTSKY, Liev. Psicologia Pedagógica. Porto Alegre: Arimed, 2003.




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