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memória familiar e sensibilidade histórica

Relato do encontro “Gestos, apagamentos, transmissões", com Leila Danziger, realizado em 27 de setembro de 2021


Leila Danziger tece na oficina “Gestos, apagamentos, transmissões” considerações sobre a importância da memória familiar e da sensibilidade histórica na constituição do seu próprio trabalho como artista e professora universitária. A retroalimentação entre a escrita e a pesquisa faz com ela esteja sempre “entre” os vários espaços: na feitura dos trabalhos de arte e nos livros impressos (outra camada de suas exposições), na universidade na qual obtém qualidade de interlocução dialogando com outras instâncias como o mercado e o circuito de arte contemporânea, e em o seu desejo de “produzir pausas, descompassos, suspensões, lampejos, fulgurâncias – imagens, portanto” a coisa advém do lastro literário, filosófico e poético que ela ajunta.

Leila Danziger - Todos os dias de nossas vidas (2013-2014)


Lévinas, Bataille, Orides Fonseca, Paul Celan, Borges, Benjamin, Jean-Luc Nancy, Drummond, Clarice entre outros são dispostos em suas montagens a partir de muitas relações. A arquitetura costura passaportes imagéticos em todas as direções e a visualidade agencia os materiais escolhidos. As temáticas envolvidas são inúmeras, desorganizando o tempo na fração do instante que fulgura palavras, imagens, carimbos, quase “nacos de alteridade” como nos painéis warburguianos. O pensamento arquivo faz-se presente. Os continentes são as comunidades, as bibliotecas, as bancas, as agendas, as catalogações fantasiosas que permitem subverter a ordem se necessário (como os imãs que prendem, podem enfim se soltar).

Leila Danziger - Os maiores momentos - Série Martha (Colecção escolar) (2018)


O gesto fundamental do apagamento revela a suspensão do barulho ensurdecedor do tempo e interrompe o fluxo dos clichês que proliferam no dizível e no visível. Negociar com o tempo faz Leila buscar o futuro, ela adentra nele entre o público e o privado, reordenando a memória, enchendo as páginas, formando outras junções ausentes que longe de enquadrar desmaterializam os sentidos já sedimentados.



sobre a autora:

Aline Reis possui graduação em Comunicação Social – Habilitação Radialismo (Rádio e TV) pela Faculdade da Cidade, pós-graduação em Crítica e Curadoria de Arte pela EAV, pós-graduação em História da Filosofia e mestrado em Filosofia pela Universidade Gama Filho. Vive no Rio de Janeiro. No campo da Arte Contemporânea tem trabalhos expostos nas plataformas ArtMaZone e Acessoartecontemporanea, com ampla leitura teórica e interesse em Curadoria de arte, tanto em relação à concepção quanto à pesquisa. Colunista semanal do BLOGDEARTE.art, integra do Grupo de Pesquisa Entre - Educação e arte contemporânea (CE/UFES).


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